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23 setembro 2009

O orgulho dos outros

Em diversos momentos a Bíblia se mostra impiedosa ao dizer quem somos. Usa expressões como "você acha que está vivo, mas está morto", "você acha que não tem falta de nada, mas é um miserável", "todos pecaram", "não há um só que faça o bem", "sem mim, nada podeis fazer, etc. Notamos por aí que podemos ter um conceito errôneo a nosso próprio respeito e que precisamos ser confrontados com nossa própria indignidade latente para sentir a necessidade desesperada de um Salvador.

Por conta disso é que o orgulho foi eleito um dos "pecados capitais". É o pecado sem esperança, porque o pecador não percebe que peca e, portanto, não sente qualquer impulso para se arrepender e para buscar a graça divina.

Nesse tema, como em outros tantos, acontece na prática um descompasso entre a intenção de Deus ao dizer o que disse e o que fazemos com o que ouvimos. A ideia era que olhássemos para o espelho, e não para os outros. Digo isso porque há muita gente tomando cuidados extremos para não incentivar o orgulho dos outros. Recusam-se a elogiar, a dizer uma palavra de validação. Agem diferentemente do próprio Jesus, que elogiou a Pedro quando ele identificou a Jesus como o Cristo. Há milhares de pessoas morrendo à míngua por falta de uma palavra positiva, uma palavra de reconhecimento, um elogiozinho qualquer.

C.S. Lewis ajuda a separar as coisas, veja: "o prazer do elogio não é orgulho. A criança que recebe um tapinha nas costas por fazer bem o dever de casa, a mulher cuja beleza é elogiada pelo marido, a alma salva para quem Cristo diz: `Muito bem': todos ficam contentes, e têm todo o direito de ficar. Em cada uma dessas situações, as pessoas não se comprazem naquilo que são, mas no fato de terem agradado a alguém que (pelos motivos corretos) queriam agradar. O problema começa quando você deixa de pensar "Eu o agradei: tudo está bem", e substitui esse pensamento por outro: "Eu sou mesmo uma pessoa magnífica por ter feito isso". Quanto mais você se compraz em si mesmo e menos no elogio, pior você fica. Quando todo seu deleite vem de você mesmo e você não se importa mais com o elogio, chegou ao fundo do poço. "

Marco Aurelio Brasil, 18/09/09

Recebido por e-mail do Levi Tavares


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3 comentários:

Tharsis Kedsonni disse...

É, meu amigo. Já diria Pv 28.25 "O orgulhoso de coração levanta contendas, mas o que confia no SENHOR prosperará."

É complicado lidar com gente orgulhosa, mas nunca é tarde tentar guiá-las pelo trilha certa que é o Mestre, o amoroso e humilde de coração.

O PENSADOR disse...

É verdade, meu amigo!
C.S.Lewis descreve com bastante cuidado a questão do elogio, ..., mas segundo o próprio, apenas um passo a mais seria o suficiente para que tudo o que ele descreve como natureza pura do elogio possa torna-se num próprio demônimo...
ôh questãozinha complicada não é mesmo?

Excelente reflexão meu caro amigo... Um abraço...

Paulo Adriano Rocha disse...

Senhores, nós, seres humanos somos MUITO COMPLICADOS (e cheios de inquietação, como já disse Jó). Mas é por isso que Deus quer gerar em nós o fruto do Espírito e ele também é benignidade e bondade. Só mesmo com muito amor, muita benignidade, muita bondade e muita temperança, podemos nos livrar do orgulho, que é como uma erva daninha para o coração.

Deus nos livre desse mal!

Abraços!