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11 novembro 2008

INSUBSTITUÍVEL

INSUBSTITUÍVEL

Em uma sala de reunião de uma multinacional o CEO, nervoso, fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostra gráficos e olhando nos olhos de cada um ameaça: 'ninguém é insubstituível'. A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.

De repente um braço se levanta e o CEO se prepara para triturar o atrevido:
- Alguma pergunta?
- Tenho sim. E o Beethoven?
- Como? - o CEO encara o gestor confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substitui o Beethoven?

Silêncio!

Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso. Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que quando sai um é só contratar outro para pôr no lugar.

Quem substitui Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Dorival Caymmi? Pelé? Garrincha? Michael Phelps? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Faria Lima? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso?

Todos esses talentos marcaram a História fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem - ou seja - fizeram seu talento brilhar. E, portanto, são, sim, insubstituíveis.

Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia em reparar 'seus gaps'.

Ninguém quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico. O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.

Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro.

Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.

Se você ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo e Gisele Bundchen por ter nariz grande.

E na sua gestão, o mundo teria perdido todos esses talentos???

Li no BI de hoje na empresa. Achei legal.
-- 
Paulo Adriano Rocha
NINGUÉM PODE TE AMAR COMO JESUS TE AMA!


-- 
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4 comentários:

Silvio Araujo disse...

Rapaz, que texto! Vai na contramão do que temos lido e ouvido por aí.

Anchieta Campos disse...

Caro irmão Paulo Adriano, a paz do Senhor.

Realmente muito bom o texto. Merecia mesmo ser transcrito para este sublime espaço.

Cada ser humano é único em suas características, e isso já torna cada ser humano especial e insubstituível. Existem, sem sombras de dúvidas, certas funções que só seriam realizadas de um certo modo, apenas se fossem realizadas por determinada pessoa.

Deus com certeza nunca deixará de cumprir o seu propósito por causa de um homem que se desviou, mas a igreja como instituição a qual como vemos hoje, esta sim, poderá perder muito se algum talento for enterrado pelo homem.

Forte abraço.

Anchieta Campos

Bruno Oliveira da Silva disse...

Paz do Senhor irmão Paulo Adriano,
Este post é simplismente belíssimo. Eu faço Administração e realmente essa relação empresa-colaborador precisa ser revista, bem como os critérios utilizados para selecionar estes. Que Deus continue te abençoando.

Em Cristo,

B.O.S
http://pecadofobia.blogspot.com/

Polêmica disse...

Isso é a mais pura verdade. Muitos líderes olham só para os pontos fracos de seus funcionários e não olham para os pontos fortes. Eu acho que um verdadeiro líder sabe utilizar muito bem as qualidades do seu funcionário fazendo com que os defeitos sequer sejam notados. Para a equipe produzir, é preciso usar as qualidades e não os defeitos, os defeitos não interessam, apenas os talentos. Funcionário tem que parar de ser tratado como um simples objeto. Somos sim insubstituíveis. Cada pessoa tem seu dom, cabe ao líder da organização saber usufruir dos dons de seus subordinados.

Beijão!