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03 novembro 2008

Marketing

"A máxima refrescância. Prazer em dobro. Surpreenda os seus sentidos. Experimenta! Uma aventura de tirar o fôlego. Adrenalina total. Você merece. Sofisticação ao seu alcance. Para poucos. Você merece. Você merece. Você precisa."

As mensagens que nos embalam (no sentido de embalagem mesmo) dizem que precisamos experimentar sensações-limites, devemos viver intensamente, devemos ter êxtases sensoriais cada vez maiores, sob pena de não estarmos "vivendo". O que ontem nos surpreendeu, hoje é corriqueiro, precisamos de uma dose maior.

É estranho que fiquemos assustados quando os adolescentes submetidos a esse discurso desde bebês se lancem nas drogas. Eles "precisam" viver, "precisam" sentir emoções fortes, "precisam" tirar os pés do mundo ordinário! Caso contrário, terão apenas existido, e a vida é pra ser vivida...

Mas não "precisamos" apenas experimentar, sentir, viver; "precisamos" ostentar. Um carro não serve mais apenas para nos deslocar por aí. O comercial mostra o sujeito orgulhoso de sua nova aquisição deixando a garagem entreaberta ou cortando a cerca viva de sua casa para que quem passa por fora possa ver aonde ele chegou, possa ver que, a julgar pelo objeto de luxo que ele adquiriu, "ele chegou lá". Ele não é qualquer um, ele não é condicionado pelo mundo ordinário. Um celular faz tempo que não serve mais apenas para comunicação e uma televisão para assistir programas de péssima qualidade. Eles "precisam" ter o máximo de funções agregadas, porque são objetos de exposição e porque "precisamos" do máximo conforto, da máxima conveniência.

O mundo gira graças ao combustível desse monte de necessidades artificiais. É para consumir que nos esfalfamos, porque o consumo nos permite viver as sensações que nós acreditamos que precisamos viver para continuar existindo e porque ele nos permite alcançar aceitação em uma coletividade ou destaque dentro dela. E, se o consumo não basta, nós nos consumimos a nós mesmos, e o caso das drogas citado aí acima é só um exemplo. Sexo, pornografia, poder, sucesso, manipulação, trabalho excessivo, são todas formas de auto-consumo, tentativa vã de entregar à vida algum sentido ou propósito.

Como se fosse antevendo esse estado de coisas que Paulo suplicou: "não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente, para que experimenteis [isso sim vale a pena "experimentar"] qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Romanos 12:2). Não conformar-se, amigo, significa não consentir em entrar na mesma fôrma. Viver é muito mais do que dizem por aí.

Marco Aurélio Brasil, 31/10/08

2 comentários:

james disse...

Graça a vós e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo, amado irmão Paulo Adriano Rocha!

Sem dúvida alguma, o marketing de uma vida dos prazeres (altamente supérfluos) de exibição do “ego” e de uma suposta auto-afirmação perante a sociedade, tem levado muito dos que se intitulam “evangélicos” a um patamar tal, que, em aproveitamento a isto, muitos marqueteiros da fé tem usufruído, na venda e comércio da supostamente advinda de Deus...

Em contrapartida, os crentes têm experimentado sem dúvida alguma, qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus, pois, uma vida de retidão perante o Senhor, nos traz esperança e paz, as quais jamais o mundo evangélico e seu comércio podem vir a oferecer...

Deus abençoe ricamente, ao amado e aos seus, fortalecendo em sabedoria, fortaleça e paz.

Aproveitamos para inserir vosso rico espaço em nosso humilde blog.

Fraternalmente.
James.
http://jesusmaioramor.blogspot.com/

Shadows and Dust disse...

Mandou muito bem Paulo.Contundente e super observador em suas colocações.Está certíssimo.Creio que devemos buscar conforto,mas de forma justa e sem pressões.Existem coisas mais importantes do que bens materiais.Devemos ter para que nos ajudem,e não para sermos escravos deles.Fica na paz.